Lombrigas em Crianças: Causas e Como Evitar Eficazmente

Entendendo as Lombrigas em Crianças: Causas e Prevenção

A presença de lombrigas em crianças é um tema que gera dúvidas e preocupações em muitos lares brasileiros. Embora seja uma condição bastante comum, a infecção por vermes intestinais não deve ser subestimada, pois, se não tratada adequadamente, pode afetar o crescimento, a aprendizagem e a qualidade de vida das crianças. Este artigo visa esclarecer como ocorre a infecção, quais os principais vermes que afetam os pequenos, seus sintomas, riscos associados e, principalmente, como prevenir essa situação.

O que são lombrigas e quais são os vermes mais comuns em crianças?

O termo “lombriga” é frequentemente utilizado para se referir a diferentes tipos de vermes intestinais que habitam o sistema digestivo e se alimentam dos nutrientes que a criança ingere. No Brasil, os grupos mais comuns incluem:

  • Nematódeos: como a Ascaris lumbricoides, que é a lombriga clássica.
  • Cestódeos: como a tênias, que são vermes achatados.
  • Protozoários: que, embora não sejam vermes, causam infecções intestinais semelhantes, como a giardíase.

De acordo com dados de vigilância epidemiológica, a Ascaris lumbricoides continua sendo um dos parasitas mais frequentes entre crianças em idade escolar, especialmente em áreas com saneamento básico inadequado. Outros parasitas comuns incluem os oxiúros (Enterobius vermicularis), que causam coceira intensa na região anal, e os ancilostomídeos, que podem levar à anemia.

Por que algumas crianças têm lombrigas com mais frequência?

A principal forma de infecção por lombrigas é a transmissão fecal-oral. Isso ocorre quando ovos microscópicos dos vermes presentes nas fezes de uma pessoa contaminada são levados à boca de outra pessoa, frequentemente através das mãos, água ou alimentos contaminados. As crianças estão particularmente em risco devido a alguns fatores:

  • Água não tratada: O consumo de água de poços ou fontes não filtradas pode ser uma fonte de contaminação.
  • Alimentos crus ou mal lavados: Folhas, frutas e legumes podem estar contaminados com partículas de solo ou água suja.
  • Solo contaminado: Andar descalço em áreas onde há fezes de animais ou pessoas aumenta o risco.
  • Higiene inadequada: A falta de hábitos adequados de higiene, como lavar as mãos após ir ao banheiro.
  • Condições de saneamento: A ausência de esgoto adequado facilita a contaminação do ambiente.

As crianças pequenas são mais vulneráveis, pois ainda estão desenvolvendo seus hábitos de higiene e têm um sistema imunológico em formação, o que facilita a infecção.

Como ocorre a transmissão de lombrigas no dia a dia?

A infecção por vermes intestinais geralmente segue alguns caminhos típicos. No caso da Ascaris, os ovos presentes no solo ou em superfícies podem ser ingeridos quando a criança leva as mãos sujas à boca ou consome alimentos mal lavados. Esses ovos se transformam em larvas que migram pelo corpo e se estabelecem no intestino.

Os oxiúros, por sua vez, têm um ciclo adaptado ao ambiente doméstico: as fêmeas depositam ovos na região anal à noite, causando coceira. Essa coceira faz com que a criança coce a região, espalhando os ovos para as unhas, roupas de cama e objetos próximos. Se a criança levar as mãos à boca, pode se reinfectar, e se tocar em brinquedos ou superfícies compartilhadas, pode contaminar irmãos e colegas.

Além disso, em áreas rurais ou em periferias urbanas, o uso de fossas improvisadas e a presença de fezes no ambiente aumentam o risco de contaminação do solo e da água, favorecendo a entrada dos parasitas no organismo das crianças.

Quais são os sintomas e os riscos para o crescimento infantil?

Os sintomas de infecções por lombrigas podem variar bastante. Em infecções leves, muitas vezes não há sintomas evidentes. Entretanto, em casos mais intensos, os pediatras frequentemente observam:

  • Dor ou desconforto abdominal recorrente;
  • Diarréia ou alteração do hábito intestinal, que pode ocorrer em ciclos com períodos de constipação;
  • Enjoo, vômitos e perda de apetite;
  • Coceira anal, especialmente à noite (comum em casos de oxiúros);
  • Cansaço, palidez e sinais de anemia em infecções prolongadas;
  • Irritabilidade e dificuldades de concentração em crianças em idade escolar.

Estudos apontam que infecções intensas e repetidas podem competir com a criança pelos nutrientes, resultando em baixo ganho de peso, déficits de crescimento e maior risco de deficiências nutricionais, como a falta de ferro e vitaminas. Além disso, a relação entre verminoses não tratadas e um desempenho escolar inferior é bem documentada, sendo influenciada por fatores como sono ruim e frequentes faltas às aulas devido a desconfortos.

Como prevenir lombrigas em crianças no dia a dia?

A prevenção de infecções por vermes intestinais requer a adoção de medidas simples que podem ser incorporadas à rotina familiar e escolar. Entre as recomendações de profissionais de saúde, destacam-se:

  • Higiene das mãos: Ensinar e supervisionar a lavagem das mãos com água e sabão antes de comer e após usar o banheiro.
  • Cuidado com a água: Priorizar o consumo de água filtrada, fervida ou tratada. Em locais sem abastecimento seguro, ferver a água antes do uso é uma boa prática.
  • Alimentos bem lavados e cozidos: Sempre lavar frutas, verduras e legumes em água potável e, quando possível, optar por alimentos cozidos.
  • Uso de calçados: Evitar que as crianças andem descalças em áreas de risco, como quintais e terrenos.
  • Limpeza do ambiente: Manter banheiros e áreas de preparo de alimentos limpos, além de trocar e lavar regularmente roupas de cama e toalhas.
  • Vermifugação orientada: Médicos podem indicar vermífugos em esquemas periódicos para crianças em áreas de maior risco.

Campanhas de saneamento básico e acesso à água tratada têm mostrado um impacto positivo na redução das verminoses infantis. No entanto, a atenção diária aos hábitos de higiene continua sendo a principal linha de defesa para garantir que menos crianças convivam com lombrigas e que seu desenvolvimento físico e educacional ocorra de forma saudável.


Observação Importante: As informações aqui apresentadas não substituem a avaliação ou o acompanhamento profissional. Sempre consulte um médico ou especialista em saúde para orientações personalizadas.